Arquivo para cheiros

Palavras saborosas (para o cérebro)!

Postado em Neurociências com as tags , , , , , , em Julho 21, 2008 por Josy Pontes

Já deve ter acontecido com vocês, comigo aconteceram várias vezes!

Certa vez, uma amiga veio me ofecerer umas batatas… daquelas chips, numa embalagem diferente, na qual não prestei muita atenção! Não resisti e peguei alguns! O visual era muito agradável, mas o gosto… argh!
Foi quando eu (ainda mastigando) disse à minha amiga: “Que coisa horrível” e ela respondeu “É de frango assado!”. No mesmo momento aquele gosto horrível ficou delicioso… tudo isso em questão de segundos! Por quê? Só porque era de frango assado? Como se até então o paladar era horrível? Resultado: No final da tarde eu estava devorando um pacote sozinha!

Isso também já aconteceu também durante um coffee-break, onde um suco de morango horrível, de repente virou um suco de frutas vermelhas maravilhoso!

E o mesmo acontece para cheiros, quantas vezes eu já abominei cheiro de queijo sem saber que era de queijo! Mas depois que dizem “é queijo” a coisa muda de figura ou melhor de cheiro!

Foi aí que eu pensei como algo que é classificado como “ruim” para o cérebro, de repente, como num passe de mágica se torna delicioso???

Foi isso que um grupo de pesquisadores de Oxford estudou e publicou na Neuron em 2005. O estudo baseava-se na modulação cognitiva do processamento olfatório.

Os pesquisadores mostraram que um mesmo cheiro pode ser percebido de maneiras diferentes pelo cérebro, se esse cheiro for associado a palavras “agradáveis” ou “desagradáveis”.

Nesse experimento 20 pessoas foram submetidas a um teste de odor, nesse teste elas eram expostas a um cheiro forte semelhante ao odor corporal. Quando as pessoas viam em uma tela as palavras “queijo cheddar” ou “odor corporal” as reações cerebrais eram diferentes, isso foi analisado através de ressonância magnética funcional.

Mesmo tratando-se do mesmo odor, o teste em que apareceu a mensagem “queijo cheddar” foi mais agradável quando comparado ao teste “odor corporal”. Enquanto isso, na ressonância magnética, as regiões da amígdala e do córtex órbito-frontal apresentavam uma maior ativação quando o cheiro era associado ao termo “queijo cheddar”.

Isso mostra como o nosso cérebro associa os cheiros a coisas agradáveis ou desagradáveis.

Afinal, quem nunca ficou nervoso(a) quando sentiu o perfume da pessoa amada mesmo quando a fragrância vinha de outra pessoa? Ou até mesmo quem nunca fugiu do perfume daquela pessoa chata do trabalho mesmo sem saber se cheiro vinha da pessoa ou não?

Josy Pontes