
Ah! Lembrei… falar de memória!
Se alguém lhe perguntasse: Você tem algum problema de memória?
Provavelmente você dirá que sim, mesmo que tenha pensado numa resposta negativa, saiba que muita gente se julga ser ruim no quesito memória, mesmo quando sua memória é absolutamente normal!
Segundo Iván Izquierdo em seu livro “A arte de esquecer: Cérebro, Memória e Esquecimento” diz que esquecer é normal… mais do que a gente pensa!
Duvida? Vamos as evidências…
1- Tente contar a alguém (ou a você mesmo) tudo o lhe aconteceu ontem (detalhadamente), quanto tempo vc levaria pra concluir essa tarefa? 10, 15, 20 minutos… ou até mesmo meia-hora! Mas o que aconteceu com as outras 23 horas e meia?
2- Se você foi a padaria, ao banco ou algum outro lugar que houvesse fila tente descrever a roupa da pessoa que estava a sua frente.
3- Caso você tenha enfrentado um congestionamento daqueles, tente lembrar da placa do carro que estava a sua frente. Tá bom, vou facilitar: tente lembrar a cor e marca do carro…
Certamente você não obteve êxito em nenhuma das tarefas!
E a neurociência explica o porquê!
Na tarefa número 1, você pode perceber quanta coisa passa batido pela nossa consciência, nosso cérebro capta tudo mas pouca coisa fica registrada. E o que o cérebro deixa registrado? O que é importante!
Por que deixar gravado em nossa memória a roupa da pessoa a nossa frente na fila do banco, ou o número da placa do carro que nos acompanhou durante todo o congestionamento? Inútil não?
Vamos usar os mesmos exemplos…
Quer ver essas informações ficarem registradas no cérebro?
Imagine que a pessoa a sua frente é uma mulher (ou um homem, no caso das mulheres) super atraente, daquelas (es) de parar o trânsito! Certamente você lembrará não só da roupa, mas também das formas que ocupavam aquela roupa! Ou então, imagine que a pessoa a sua frente estava fantasiada de girafa!
E pq nesse caso você lembrou? Por que chamou a atenção! Ou seja, de alguma forma aquela informação foi importante para o seu cérebro.
E se o carro a sua frente no congestionamento fosse uma ferrari vermelha linda, reluzante, recém saída da fábrica? Certamente você lembraria!
Quantas vezes saímos da sala e quando chegamos no quarto pensamos: O que eu vim fazer aqui mesmo?
Aí você volta pra sala, pensa um pouco e… “Ah! A tesoura!”
Isso por que você não devia estar atento quando pensou “vou pegar a tesoura”, provavelmente você estava pensando em mil coisas ao mesmo tempo! Ou seja, você não estava prestando atenção, logo a tesoura passou desapercebida pelo cérebro!
Nós temos 3 tipos de memórias:
MEMÓRIA DE TRABALHO: é aquela que usamos para decorar um número de telefone rapidamente antes de discar, ela dura muito pouco e é limitada. Dura pouco por que logo depois que você disca, o número desaparece e é limitada pq você decora um número de telefone, mas não 10!
Outro exemplo prático pra mostrar o que é a nossa memória de trabalho e esse exemplo é para quem viveu a década de 80, quem não lembra do brinquedo Genius da Estrela. Nesse brinquedo era necessário decorar a sequência de cores mostrada, então sua memória de trabalho ficava repetindo “vermelho, verde, verde, amarelo, vermelho, azul”.
Essa memória depende dos neurônios do nosso córtex pré-frontal, a parte do cérebro que fica mais a frente. Ela capta o presente, esses neurônios se comunicam com outras regiões do cérebro que analisam essas informações e as armanezam num contexto maior, ou seja, você já não lembra mais a sequência de cores, mas lembra que estava jogando há uma hora atrás.

MEMÓRIA DE CURTA DURAÇÃO: Pois é… é esse o contexto maior que eu estava falando acima! Você sabe o que estava fazendo há uma, duas horas atrás. Essa memória dura um poquinho mais de tempo, algumas horas. É ela que falha quando chegamos ao quarto e esquecemos o que estávamos procurando. Sem essa memória seria impossível acompanhar um filme ou uma conversa, nos perderíamos na história e não entenderíamos o contexto.
Para esse tipo de memória nós usamos o hipocampo (estrutura responsável não só por formar as memórias, mas também por evocá-las) localizado no lobo temporal, outra região envolvida é o chamado córtex entorrinal, uma região localizada bem abaixo do hipocampo.

MEMÓRIA DE LONGA DURAÇÃO: é aquela que dura dias, semanas, meses, anos e décadas. Esse tipo de memória exige do hipocampo algo mais complexo, como expressão de alguns genes, síntese de proteínas. Dependendo do tipo de memória, esse processos não ocorrem apenas no hipocampo, mas em outras regiões do córtex cerebral. É como se os circuitos fossem se modificando a cada nova memória armazenada.
É como se o cérebro fosse uma grande cidade. Para construirmos os prédios (memórias de longa duração) precisamos de cal, cimento, pedra (processos de síntese proteica, expressão gênica). Temos diversos prédios diferentes na nossa cidade, alguns prédios são demolidos (coisas que esquecemos), alguns prédios vão crescendo (coisas que sempre lembramos), e outros são construídos ou reformados (coisas que vamos aprendendo). Por isso, conforme as pessoas vão vivendo experiências diferentes, elas vão construindo e moldando prédios diferentes, ou seja, cada um tem a sua “cidade de memórias” no cérebro!
RESUMÃO:

Josy Pontes











