Sair ou estudar? Eis a questão…

Fui convidada alguns meses atrás pela editora Ferreira através do Bruno Barrozo, a escrever uma matéria sobre tomada de decisões para a revista Guia dos Concursos. A matéria sairá na edição de setembro.
Como trata-se de uma revista que tem um público-alvo bem específico escrevi como o nosso cérebro opta por abandonar os pequenos prazeres da vida para estudar!


O sonho da estabilidade financeira é muito tentador pro nosso cérebro, pois ele sabe como é bom almoçar em um bom restaurante, ter um carro melhor e comprar roupas novas!

Mas a tão sonhada estabilidade financeira nem sempre é fácil e muitas vezes temos que fazer escolhas difíceis, escolhas estas que nos privam de muitos outros pequenos prazeres. Você certamente sabe o quanto é difícil abandonar aquela cervejinha no final da tarde. Afinal, você precisa estudar! E estudar pra quê? Decidir prestar um concurso, não é uma das tarefas mais fáceis, pois isso implica em horas de estudo, muita dedicação e acima de tudo muita força de vontade.

Para saber como o nosso cérebro prefere estudar ao invés de sair com amigos ou até mesmo pegar um cineminha, alguns neurocientistas decidiram pregar uma peça, ou melhor, fazer um “concurso” para ratos.

Eles colocaram ratos em um labirinto em forma de T, de um lado havia uma pequena recompensa (dois pellets = ração de rato) e do outro lado uma recompensa melhor, o dobro de pellets. Só que para obter a maior recompensa, era necessário um esforço maior, ou seja, escalar uma pirâmide de arame de 30 cm de altura.

labirinto em T

E força de vontade foi o que não faltou aos ratinhos dos pesquisadores Hauber e Sommer. Eles preferiram escalar a pirâmide de arame e obter a maior recompensa! E essa decisão baseada no esforço envolveu três estruturas cerebrais importantes, a amígdala cerebral, o córtex cingulado anterior e o núcleo accumbens e a integração dessas estruturas fez com que os ratinhos percebessem que valia a pena se esforçar um pouquinho mais. Afinal, o prazer de se obter uma recompensa melhor é muito maior.

Mas o que aconteceria se os ratinhos tivessem uma lesão em alguma dessas três estruturas? Hauber e Sommer responderam essa pergunta lesionando o núcleo accumbens dos ratinhos, que é a estrutura cerebral responsável pelo prazer. Após a lesão, mudaram de opinião e passaram a optar pela recompensa menor, porém mais fácil. A mesma coisa acontecia quando os ratinhos possuíam uma lesão no córtex cingulado anterior, região envolvida em calcular os custos e benefícios de uma decisão.

Porém, o núcleo accumbens parece estar envolvido não só em decisões baseadas em algum esforço, mas também em escolhas nas quais a recompensa não é imediata ou até mesmo incerta! Não é isso que representa prestar um concurso?

Em estudos com lesão nessa região mostram que os ratos preferem a certeza de uma pequena recompensa à incerteza de uma recompensa melhor, ou seja, são ratos que seguem a risca o ditado “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”. E é esse mesmo mecanismo pelo qual nós, seres humanos, também fazemos nossas escolhas!

Outra região envolvida nessas difíceis escolhas é a amígdala, (sim nós temos amígdala no cérebro), não tem nada a ver com amigdalite, mas tem muito a ver com emoções. Ela é responsável por informar o nosso córtex cingulado anterior o quanto uma recompensa nos agrada, o quanto ela vale a pena. Com essa informação vinda da amígdala é que o nosso cingulado anterior consegue avaliar os custos e benefícios do problema em questão, além das opções de resposta (me esforçar pra passar num concurso, não me esforçar ou simplesmente abandonar tudo e partir pra outra solução).

CCA, BLA, NAc

Então, na hora de tomarmos uma decisão importante, onde deixaremos de lado pequenos prazeres como sair com os amigos para nos esforçar em outra atividade nem sempre tão prazerosa como estudar, nós estamos trocando uma pequena recompensa, mas visando uma recompensa maior pro nosso cérebro, por mais que não seja uma recompensa imediata e nem certa! Mas o nosso cérebro adora um desafio em busca de prazeres maiores… E você? Prefere uma pequena recompensa ou escalar a pirâmide?

Josy Pontes

P.S.: Aproveito este post para agradecer o convite à revista Guia dos Concursos e principalmente ao Bruno Barrozo, leitor assíduo deste blog!

3 Respostas para “Sair ou estudar? Eis a questão…”

  1. Daniel pipets Diz:

    Adorei o texto mas algo me preoocupou, como ando estudando para concursos e num fui muito bom para estudos, pensei, será que tenho alguma lesão numa dessas partes do cérebro…..ou a minha preguiça pode ser estudada em outro post deste blog??? Algo como porque a preguiça atrapalha tanto nosso sucesso!!! hehehe

    Parabéns mais uma vez, Rosi…
    e sei que está será a primeira de várias revistas que lhe chamaram pra escrever nelas.
    Sucesso!!!

  2. Confesso que tive a mesma duvida do pipets….será que meu cérebro é lesionado? rs

    Parabéns pelo convite…sabemos o quanto você merece essa recompensa de sucesso…depois de tantas pirâmides escaladas!!!!

    Muitas pirâmides ainda pela frente…pro seu sucesso ser cada vez maior!!!

    Amo-te sempre!

    Bjs

  3. Josy Pontes Diz:

    Pipets e Ju:

    Se vocês tem algum problema na hora do estudo e se eu bem conheço os dois… a culpa não é do cingulado, não é da amígdala e mto menos do accumbens!
    No caso de vcs falta MOTIVAÇÃO! A famosa e verdadeira força de vontade!
    A motivação depende de várias regiões do cérebro, principalmente do hipotálamo… e isso não significa lesão hipotalâmica!
    Significa que vocês não encontraram um motivação pra estudar!

    Agora é com vocês! Descubram suas motivações e bons estudos!
    Opa! Tô parecendo o TeleCurso 2000!
    “Bons estudos!”

    Mtos beijos!

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