Entre tapas e beijos…

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O que esses casais têm em comum?

Pra quem assistia o seriado “A gata e o rato” (Moonlighting) na década de 80, protagonizado por Cybyll Shepherd (Madolyn “Maddie” Hayes) e o até então desconhecido Bruce Willis (David Addison).
E depois acompanhou o desfalque violento de vasos cenográficos na novela “O cravo e a rosa”  (Rede Globo, 2000) promovido por Catarina Batista (Adriana Esteves) e Julião Petruchio (Eduardo Moscovis) sabe muito bem o que esses casais têm em comum!

Era uma relação de amor e ódio, não necessariamente nessa ordem!

Não só na ficção, a vida nos mostra que esses sentimentos se confundem muitas vezes e a neurociência mostra o que esses sentimentos têm em comum!

O pesquisador Semir Zeki do laboratório de Neurobiologia da University College London disse em entrevista ao site Ciência Hoje que embora aparentemente antagônicos, os dois sentimentos se confundem e interagem em muitos momentos:

“O dia-a-dia providencia exemplos em que essas conflitantes emoções se entrelaçam”

O que nos faz odiar alguém? Existe uma alguma estrutura no nosso cérebro responsável pelo ódio?

Era essa a pergunta que Zeki e John Paul Royama tinham em mente quando escreveram o artigo “Neural Correlates of Hate” na PLoS One em outubro de 2008.

Para isso, os pesquisadores pegaram 17 pessoas com muito ódio no coração, ops… no cérebro!

Tratavam-se de pessoas que tinham um forte ódio por determinada pessoa, geralmente um ex-amor ou alguém do trabalho, com exceção de uma pessoa que tinha ódio por uma figura política. O que cá entre nós não é muito difícil de achar!

Os pesquisadores analisaram a atividade cerebral dessas pessoas quando olhavam fotos da pessoa odiada e de pessoas neutras, ou seja que “não fedem e nem cheiram” e observaram que várias estruturas são ativadas quando vemos aquela pessoa que não gostamos muito!

Eis aqui as regiões:

PÓLO FRONTAL: A pontinha da frente do cérebro é responsável, entre muitas coisas, por prever a ação da outra pessoa (O que ela vai fazer?).

CÓRTEX PRÉ-MOTOR: Essa região do córtex é responsável por planejar e executar qualquer movimento.

Ou seja, essas duas regiões estão ligadas a reações de ataque e defesa, então quando vemos alguém que odiamos é como se estivéssemos diante de um inimigo que está prestes a nos fazer um mal e o nosso cérebro já se prepara para reagir, mesmo que seja apenas uma foto!

cortex pre-motor e polo frontal

Um fato muito interessante é que algumas estruturas que são ativadas no amor também são ativadas no ódio!

PUTÂMEN (lado direito): Também atua no planejamento motor, mas também é ativado quando sentimos desprezo, repugnância e medo.

ÍNSULA: Dentre as várias funções da ínsula, uma delas é o envolvimento na percepção de estímulos desagradáveis, angustiantes.

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Se o putâmen e a ínsula estão relacionados a sentimentos ruins, porque estas estruturas também estão ativas no amor?

Quando nosso cérebro detecta um (uma) rival que apresente perigo! Ou então, segundo Zeki, se um companheiro nos trai, o ódio resultante é provavelmente muito mais intenso do que se tivéssemos sido traídos por um estranho.

Não faz sentido???

Josy Pontes

Uma resposta para “Entre tapas e beijos…”

  1. Decididamente amor e ódio não são sentimentos antagônicos.
    Na verdade o Homo sapiens é muito mais Homo demens do que se imaginava. Como neófito na Neurociência, indago: hipo ou hipertrofia histológica das regiões cerebrais são relevantes no estudo da ativacão
    das estruturas do cérebro?
    Gostaria de degustar um texto seu sobre Transtorno Bipolar, para tentar entender melhor as pessoas com quem trabalho!
    Vida longa.
    Fabião

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