Espelho, espelho meu… existe alguém que sinta o mesmo que eu?

Assista os vídeos abaixo:

Certamente, você pensou “nossa!” ou fez alguma outra interjeição de dor ou espanto!

Se não fez, imagine que essas cenas tenham acontecido na sua frente!
Ou até mesmo imagine aquelas vídeos-cassetadas onde o cara bate as “partes baixas” em algum lugar… e imediatamente você fala “ai!”, ou faz alguma cara do tipo “essa doeu”.

E por que isso acontece?

Porque somos solidários a dor alheia? De certa forma, SIM!

Mas o que acontece no nosso cérebro?

No verão de 1994, na Universidade de Parma na Itália, um macaco aguarda pacientemente no laboratório que os pesquisadores voltem do almoço.
Mas esse não era um macaco qualquer, aliás era, mas tinha alguns “adicionais de fábrica”… ele tinha eletrodos no cérebro, particularmente nas regiões que planejam e executam os movimentos, também chamado de córtex pré-motor.

Esses eletrodos ficavam ligados a um máquina que toda vez que o macaco realizava algum movimento, neurônios dessa região disparavam e essa máquina fazia um som.

Nesse dia, um pós-graduando entrou no laboratório tomando um sorvete. Quando este levou o sorvete até a boca, a máquina soou mesmo sem qualquer movimento do macaco! O macaco apenas observou o movimento!!!

Giacomo Rizzolatti, um neurocientista dessa universidade relatou que outros pesquisadores haviam observado a mesma coisa, só que amendoins. Parafraseando o famoso Chaves: “Eu sabia isso com maçãs!” Mas nesse caso era com amendoins!

Os pesquisadores observavam que os neurônios que disparavam quando o macaco realizava o movimento eram os mesmo que disparavam quando ele apenas observava o movimento!

Esses neurônios são chamados de neurônios-espelho…

Porém, nosso cérebro é um pouco mais complexo. Segundo Rizzolatti: “Os neurônios-espelho nos permitem captar a mente dos outros não por meio do raciocínio conceitual, mas pela simulação direta. Sentindo… e não pensando”

Ou seja, nós sentimos o que o outro sente… quando nós observamos uma ação, nós a executamos também… mas no nosso cérebro!

Por isso, nos vídeos acima se você sentiu alguma aflição ao ver as pessoas caindo ou se machucando, por mais ou menos engraçados que sejam, você também sentiu, por causa dos neurônios-espelho!

E por que nós “realizamos” o movimento no nosso cérebro, mas não o realizamos de verdade?
Porque o nosso córtex pré-frontal, região da frente do cérebro não permite pois seria um movimento inútil pra nós naquele momento.

Isso explica diversas coisas que acontecem no nosso cotidiano, um bom exemplo disso é o bocejo!
Mas quando vemos alguém bocejar, é muito difícil resistir!

E nesse caso… é inevitável!

Por que?
Porque o bocejo é regulado por outras áreas do cérebro também, como o hipotálamo e amígdala. E quando esses falam, o córtex pré-frontal não mete o bedelho!

Pra entender melhor como o bocejo é regulado, assista ao vídeo do quadro do Fantástico “Neurológica”, apresentado pela também fantástica neurocientista Suzana Herculano-Houzel:

Isso que eu chamo de sentir na pele… ou melhor… no cérebro!

Josy Pontes

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