Um dia triste para a Neurociência…

“Cada dia é só em si mesmo, não importa que alegria ou tristeza eu tive.” H.M.

H.M.

Morre no 2 dia do mês de dezembro deste ano de insuficiência respiratória o famoso Henry Gustav Molaison mais conhecido como H.M. aos 82 anos. Pra quem não conhece nosso famoso personagem do estudo da memória certamente não leu as notas de rodapé dos livros de Neurologia, Neuroanatomia entre outros…

Aqui vai um resumo da tragicomédia de H.M.:

Depois de um acidente de bicicleta aos 9 anos, H.M. passou a apresentar uma epilepsia intratável. Os focos de origem da epilepsia estavam localizados na região medial do lobo temporal.

Foi aí que começou a importância de H.M. para a Neurociência. Ele foi submetido a uma cirurgia de remoção dos focos epilépticos.
Nessa cirurgia foram removidos o córtex temporal medial de ambos os lobos temporais, amígdalas e os 2/3 anteriores do hipocampo.

The New York Times)

Depois da cirurgia, H.M. perdeu a capacidade de formar novas memórias e esse caso tornou-se um dos mais importantes de estudo na área.

H.M. perdeu grande parte de seu hipocampo (região responsável pela memória), portanto tudo pra ele era novo, cada refeição, cada novo amigo, novo caminho, novo lugar… tudo para ele era como se fosse a primeira vez.

Isso nos faz lembrar daquele filme da Drew Barrymore e Adam Sandler “Como se fosse a primeira vez” (50 First Dates). Pro azar do Adam Sandler, ele a conheceu após a cirurgia.

Porém, H.M. manteve intactas certas habilidades, caso fosse treinado em alguma habilidade motora como tocar piano, datilografar, fazer leituras invertidas (em espelho) ele executava essas habilidades com um ótimo desempenho, mas quando perguntavam a respeito dessas habilidades, ele respondia que não sabia como ele era capaz de fazer aquilo já que nunca havia treinado. E ele tinha treinado sim! Só não lembrava…

Ele também manteve as suas memórias anteriores a cirurgia e muitas vezes ele lembrava de fatos melhor do que uma pessoa comum. Essa memórias, chamadas de memórias de longo prazo, não necessitam do hipocampo… é como se ficassem “gravadas” no córtex frontal.

Suas memórias duravam aproximadamente 20 segundos, mas que isso sem um hipocampo é impossível!

H.M. participou de centenas de estudos, ajudando os cientistas a entender a biologia da aprendizagem, da memória,  de habilidades motoras bem como a natureza frágil da identidade humana, pois ele acabou perdendo parte de sua identidade.

Durante as pesquisas com H.M., ele sempre era informado das suas condições e as recebia com muita surpresa e durante todos esses anos mostrou-se muito gentil com os cientistas.

Os cientistas o conheciam a aproximadamente 50 anos… e para H.M. eram sempre novos amigos!

Por isso, seu falecimento foi recebido com muita tristeza no meio científico.

Tenho certeza que ele sempre estará em nossas memórias, com ou sem hipocampo…

Esse vídeo mostra um caso semelhante ao de H.M.
Peço desculpas pela falta de legenda.

Josy Pontes

2 Respostas para “Um dia triste para a Neurociência…”

  1. Oi Josy,
    Seu Blog é ótimo parabéns!
    Você conseguiu mostrar que a Neurofisiologia(UNIFESP), é mas linda do que eu sempre achei!
    Muito sucesso pra vc!

  2. hamilton rocha Diz:

    olá professora, tudo bem, adorei seu blog e claro tados as informações , principalmente o video do cérebro, e por falar nele, se tinha dúvida em qual video levar para próxima aula esse é o cara!
    abraço

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