Centro das Emoções: Cérebro ou Coração? – Parte II
Estou há 3 dias pensando em um tema para postar e nada!
Apesar de me sentir vencida pela falta de criatividade, hoje o amigo e comediante Danilo Gentili me deu uma excelente idéia. Ele disse que hoje (31/07) é o Dia Mundial do Orgasmo!
Confesso que nunca tinha ouvido falar desse tal dia e confesso também que o Danilo não é fonte das mais confiáveis…
Não que o orgasmo não seja digno de um dia só para ele e nem seja um assunto interessante, mas resolvi escrever a segunda parte do meu texto “Centro das Emoções: Cérebro ou Coração?”
O prazer, a euforia, a tristeza, o desânimo, a depressão, o medo, a ansiedade, a raiva, a calma, o desânimo, a alegria… são emoções comuns no nosso dia-a-dia e são elas que conduzem e influenciam nossas ações. Não precisamos ser neurocientistas para saber disso.
E por serem tão complexas, já era de se esperar que a fisiologia delas também seja complexa e envolva uma série de estruturas e áreas do cérebro.
CÓRTEX: as emoções são conscientes, todos sabemos quando estamos apaixonados, quando nos recusamos a subir na montanha-russa, quando queremos ficar sozinhos sem falar com ninguém. Logo, o córtex frontal está envolvido nas emoções.
SISTEMA NERVOSO AUTÔNOMO: quem nunca sentiu o coração disparar depois daquele tropeção, ou sentiu a respiração ficar mais rápida ao se aproximar da pessoa amada, ou suou frio diante daquele cachorrinho “bonzinho”. Acho que nem preciso explicar o envolvimento do sistema nervoso autônomo né?
HIPOTÁLAMO: é nele que estão muitos dos circuitos neuronais que regulam a temperatura, a frequência cardíaca, a pressão sangüínea e muitas outras funções. Ele regula tudo isso através do Sistema Nervoso Autônomo citado acima.
Ok… até agora sem grandes novidades!
Mas onde fica a representação cortical das emoções?
1937 -> Um cara chamado Papez propôs que a região do cérebro intimamente ligada com as emoções era o LOBO LÍMBICO que seria um conjunto de estruturas como o giro parahipocampal (que é a continuação do giro cingulado) e o córtex subjacente à formação hipocampal (hipocampo + giro denteado + subículo).
Papez dizia que como o hipotálamo se comunica com áreas corticais superiores (giro cingulado e formação hipocampal), a cognição e a emoção afetam uma a outra. Isso parece óbvio, pois ninguém consegue aprender algo durante um momento de tensão.
1939 -> Klüver e Paul viram que se o lobo temporal for removido bilateralmente em macacos, ou seja, adeus amígdala e formação hipocampal!
Os animais tornaram-se totalmente orais (???), colocando tudo na boca (Ok… sem pensar besteira), inclusive cobras (Tá… tá ficando cada vez mais esquisito)!
Isso mostrou a Klüver e Paul que os animais perdiam completamente o medo!
Outro ponto esquisito e interessante é que os macacos aumentavam (e muito!) o comportamento sexual (Cá entre nós… depois da cobra, já era de se esperar não é mesmo?). Esse estudo um tanto pornográfico foi importante pois revelou uma estrutura que hoje é reconhecida como a porção do sistema límbico mais implicada nas emoções. A amígdala!
AMÍGDALA: Não, não é aquela que dói quando temos amigdalite. Essa amígdala (ou corpo amigdalóide) que vou falar fica no cérebro! Muitos dos efeitos da amígdala sobre os estados emocionais são mediados através do hipotálamo (que se comunica com centros cerebrais superiores) e do sistema nervoso autonômico (que produz os efeitos no organismo: taquicardia, tremores, sudorese).
Experimentos onde a amígdala era lesionada provocavam diversos efeitos (dependendo da região da amígdala que era acometida):
* ausência do medo (tanto do medo inato, quanto do aprendido)
* perda de reações emocionais apetitivas (o animal aprende que toda vez que toca a campainha significa que “tá na hora do rango”, depois da lesão da amígdala ele perde a sensação do “hummm, tocou a campainha vem coisa boa por aí”. Nesse caso o animal só tem a sensação do “Vixi, lá vem aquela comida marrom em flocos de aspecto repugnante”. Ou seja, o animal não associou a campainha ao gosto e sim ao aspecto da comida. Isso é o que eu chamo de deixar de ver o lado bom das coisas!
Por outro lado, a estimulação elétrica da amígdala promove:
* aumento da freqüência cardíaca
* aumento da freqüência respiratória
* aumento da pressão arterial
* sentimentos de medo e apreensão
* (em animais) tendências orais
* (em animais) hipersexualidade
* (em animais) mansidão
Já falei de coração e emoções, espero que o cérebro esteja bem representado também!
Josy Pontes

Agosto 1, 2008 às 7:37 pm
Josy, V. assistiu Fim dos Tempos? Crucificaram o Night qualificando o pior filme dele até o momento. Tudo mundo chateou-se com a explicação do vírus ou neurotoxina produzido/vetorizado pelas plantas, que ao contaminar os homens por via aérea, abolisse o instinto de preservação, provocando uma reação autodestrutiva epidêmica.
Tudo bem, os exageros do Night são sempre para dar mensagens bem sutis sobre o comportamento da humanidade em sociedade.
Mas fiquei defendendo a possibilidade deste efeito, pensando em vias neuronais sendo acionadas no sistema límbico.
V. daria um pontinho para a tese do filme?
Abraços.
Agosto 3, 2008 às 9:15 pm
Mestre…
Já ouvi alguns comentários a respeito do filme também, mas ainda não assisti. Pela sua sinopse já poderia até escrever alguma coisa sobre o efeito no comportamento de auto-preservação e sistema límbico, mas prefiro assistir o filme antes. Assim meu comentário será mais embasado…
Abçs
Agosto 5, 2008 às 10:15 am
Nossa, interessante, queria te recomendar duas obras, uma é O Sitío da Mente de Henrique Shults Del Nero e a outra O erro de Descartes de Antonio Damásio, mande um email, pra mantermos contato, tenho um Pit Bull se chama Atila, vive dentro d minha casa e na época que eu era solteiro dormia comigo, e o mais interessante foram os comportamentos dele nessa época ele é muito humano, tipo sabado sempre comia pizza e via zorra total e ele subia na cama sentava do meu lado, dai tinh que colocar coca cola numa vasilia e ele só comia pizza no prato e eu tinha que dar na boca ou picar em pedaços peuqeno senão ele nem ligava, ele era e é at’; hoje muito doido, convive com gatos, cães e o pior adora andar de carro scutando setanejo pode…
Abril 1, 2009 às 10:45 pm
Meu carinho…foi muito bom ter passado por aqui.
Outubro 24, 2009 às 11:59 am
gostaria de saber qual é a parte do celebro que esta direcionada as emoções femininas. Quando estressadas.
Outubro 24, 2009 às 1:11 pm
Tanto em homens como em mulheres as áreas do cérebro responsáveis pelas emoções são as mesmas, mas durante o estresse alguns hormônios são liberados e estes agem como moduladores, mtas vezes aumentando a intensidade das emoções.
Espero que tenha ajudado
Abçs