Palavras saborosas (para o cérebro)!

Já deve ter acontecido com vocês, comigo aconteceram várias vezes!

Certa vez, uma amiga veio me ofecerer umas batatas… daquelas chips, numa embalagem diferente, na qual não prestei muita atenção! Não resisti e peguei alguns! O visual era muito agradável, mas o gosto… argh!
Foi quando eu (ainda mastigando) disse à minha amiga: “Que coisa horrível” e ela respondeu “É de frango assado!”. No mesmo momento aquele gosto horrível ficou delicioso… tudo isso em questão de segundos! Por quê? Só porque era de frango assado? Como se até então o paladar era horrível? Resultado: No final da tarde eu estava devorando um pacote sozinha!

Isso também já aconteceu também durante um coffee-break, onde um suco de morango horrível, de repente virou um suco de frutas vermelhas maravilhoso!

E o mesmo acontece para cheiros, quantas vezes eu já abominei cheiro de queijo sem saber que era de queijo! Mas depois que dizem “é queijo” a coisa muda de figura ou melhor de cheiro!

Foi aí que eu pensei como algo que é classificado como “ruim” para o cérebro, de repente, como num passe de mágica se torna delicioso???

Foi isso que um grupo de pesquisadores de Oxford estudou e publicou na Neuron em 2005. O estudo baseava-se na modulação cognitiva do processamento olfatório.

Os pesquisadores mostraram que um mesmo cheiro pode ser percebido de maneiras diferentes pelo cérebro, se esse cheiro for associado a palavras “agradáveis” ou “desagradáveis”.

Nesse experimento 20 pessoas foram submetidas a um teste de odor, nesse teste elas eram expostas a um cheiro forte semelhante ao odor corporal. Quando as pessoas viam em uma tela as palavras “queijo cheddar” ou “odor corporal” as reações cerebrais eram diferentes, isso foi analisado através de ressonância magnética funcional.

Mesmo tratando-se do mesmo odor, o teste em que apareceu a mensagem “queijo cheddar” foi mais agradável quando comparado ao teste “odor corporal”. Enquanto isso, na ressonância magnética, as regiões da amígdala e do córtex órbito-frontal apresentavam uma maior ativação quando o cheiro era associado ao termo “queijo cheddar”.

Isso mostra como o nosso cérebro associa os cheiros a coisas agradáveis ou desagradáveis.

Afinal, quem nunca ficou nervoso(a) quando sentiu o perfume da pessoa amada mesmo quando a fragrância vinha de outra pessoa? Ou até mesmo quem nunca fugiu do perfume daquela pessoa chata do trabalho mesmo sem saber se cheiro vinha da pessoa ou não?

Josy Pontes

7 Respostas para “Palavras saborosas (para o cérebro)!”

  1. Olá Jose…Parabéns pelo seu Blog, gostei muito!
    Também tenho um mas sobre Neurologia da Visão, visite-o!
    Estou fazendo Pós-Doutorado em Sistemas Neurais na USP, mas me formei na Unifesp, e vi que você está fazendo Doc. lá, entre em contato.

    Abraços

    Leandro Rhein

  2. Olá Josy!!!
    Venho acompanhando seu blog a alguns dias já, mas hj lendo este texto, foi o que mais gostei, na verdade não, foi com este que mais me identifiquei, e resolvi postar um comentário! rs.
    Lendo me lembrei de ter passado por mtas situações semelhantes as quais vc mencionou!

    A idéia do seu blog é maravilhosa…e sei que iremos aprender mto por aqui!

    Parabéns!!!!

    beijocas

    Shelly

  3. Josy Pontes Diz:

    Obrigada Shelly!
    Sei que posso contar com a sua opinião sempre!

    Beijos

  4. Maria Aparecida Blard Diz:

    Rio, 29/12/2008
    Olá Josy. Sou professora, portanto pesquisadora. Ao entrar na internet busquei material para enriquecer minhas aulas sobre EMOÇÔES, e deparei-me com este material fabuloso criado por você. Gostei muito e gostaria de usá-lo como recurso para que haja uma compreensão maior de como lidar com as emoções, a partir de um pré – conhecimento do funcionamento de nosso cérebro.
    Obrigada pelo belo trabalho de pesquisa,
    Aparecida Blard

  5. Osvaldo Medeiros Diz:

    Olá querida Prof. e Amiga Josy,

    Como primeiro comentário em seu enriquecedor blog, gostaria de parabenizar pelo trabalho e excelência em conhecimento e pela sua altissíma facilidade de transmitir de maneira singular seus assuntos.

    Agora quanto ao comentário em si, gostaria de aumentar um pouco a conversa sobre o assunto, apesar do assunto acima citado ser o “odor”, acredito que o mesmo deve se considerar para outros estimulos, como o auditivo por exemplo, afinal, quem nunca sentiu um bem estar inexplicável ou até a sensação de estar em outro lugar ao ouvirmos aquela música especial. Acredito que da mesma maneira que o “odor” melhore dependendo da informação que temos, o ambiente assim se faz dependendo da música que ouvimos.

    Bom minha amiga acho que falei alguma coisinha, espero que não tenha viajado nas palavras ou conturbado o tópico….rsrsrs…

    Um Grande Beijo.

    Osvaldo Medeiros

  6. Eduardo Santos Diz:

    Olá Josy,
    Bom, depois da nossa conversa de quase 7 horas (não sei como vc aguentou todo esse tempo), procurei a sua literatura científica virtual.
    Esse blog reflete a sua enorme capacidade em transformar a “ciência séria em ciência que não é chata”, isso sim é um trabalho cientifico de grande impacto, em todos os sentidos.
    Espero que vc não pare com essa tragetória, e que os obstáculos da vida acadêmica sejam apenas limites para demarcarem espaços que vc com certeza ainda vai conquistar.
    Se precisar de alguma ajuda aqui em São Paulo me avise, as portas estão abertas.

    bjs

  7. Josy Pontes Diz:

    Muito obrigada Edu!

    Eu não sei como vc conseguiu aguentar minhas ideologias científicas e acadêmicas por tanto tempo!
    Agradeço muito os elogios e sempre que puder vou tentar mostrar às pessoas que “A Ciência séria não precisa ser chata”!

    Mais uma vez obrigada e ainda vou visitá-lo na Fisiologia da USP!
    Boa sorte na qualificação!

    Bjos

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