Extra! Extra! Sistema Vestibular e Cerebelo ainda juntos!

É impressionante o poder da imprensa sobre as pessoas, ainda mais quando a notícia é ruim!

Ver a Sandy sem o Júnior (eca!) ou o Buchecha sem o Claudinho (eca de novo!) é uma coisa… Agora, separar o Sistema Vestibular do Cerebelo, isso sim é sacanagem!

Como notícia ruim chega rápido, a separação do casal vestíbulo-cerebelo logo foi noticiada em todos os livros de neurologia. Ou seja, em todos os livros, o sistema vestibular num capítulo e o cerebelo no outro! Ou então quadros que colocam de um lado sinais vestibulares e do outro lado cerebelares. É uma questão de didática, eu sei, mas essa separação não pode ser levada assim tão a sério, como se fosse uma verdade. Principalmente na clínica!

O sistema vestibular projeta através do nervo vestibulo-coclear para uma região primitiva do cerebelo (o lobo flóculo-nodular). A informação de como a cabeça está inserida e posicionada no espaço chega aos núcleos vestibulares do cerebelo. Estes núcleos, por sua vez corrigem os movimentos dos olhos, do pescoço e da cabeça e mantém o tônus da musculatura axial.

E é dessa forma que o cerebelo está conectado ao sistema vestibular, ou seja… Eles estão juntos sim!

E a prova disso são algumas patologias que acometem somente o cerebelo podem apresentar sinais vestibulares também!

Tá aí a DEGENERAÇÃO CEREBELAR que não me deixa mentir…

Se as funções cerebelares são: coordenação e correção dos movimentos realizados, manutenção do equilíbrio e postura, movimentos oculares e de cabeça.

O que aconteceria se o cerebelo de repente se “desintegrasse”?

É o que acontece na Degeneração Cerebelar Cortical (DCC).

Na DCC o animal apresenta ataxia marcada pela dismetria, espasticidade, apoio em base ampla, tremores de intenção, perda do equilíbrio, nistagmo, perda do reflexo de ameaça (as vezes). Com a progressão da doença, os cães tornam-se incapazes de andar sem cair repetidas vezes.

Os achados histopatológicos incluem perda acentuada dos neurônios de Purkinje (GABAérgicos) com diminuição das camadas molecular e granular e aumento da celularidade dos núcleos profundos do cerebelo. As lesões são degenerativas difusas e confinadas ao cerebelo .

A idade em que os sintomas aparecem varia de 18 meses a 9 anos. Quando a degeneração se dá por um déficit nutricional/metabólico cerebelar a DCC pode ser chamada de Abiotrofia Cerebelar.

Nos casos em que há relatos da mesma doença na família, a DCC trata-se de uma doença onde a herança é autossômica recessiva. Casos esporádicos são mais difíceis.

Josy Pontes

2 Respostas para “Extra! Extra! Sistema Vestibular e Cerebelo ainda juntos!”

  1. Oi Josy, sou fisioterapeuta e trabalho com Reabilitação Vestibular em idosos. Como ocorre espasticidade na DCC se, classicamente, há hipotonia nas lesões cerebelares? Na lesão cortical cerebelar é diferente?
    Gostaria de saber mais sobre esse controle do tônus pelo sistema vestibular, poucos trabalhos explicam essa fisiologia detalhadamente.
    Obrigada, abraço!

  2. olá Josy
    Estou comecando a escrever minha monografia sob abiotrofia cerebelar, você disse que quando a degeneração cerebelar é causada por déficit nutricional/metabólico é chamado de abiotrofia.
    Quando a causa é de origem congenita , não pode ser chamada de abiotrofia?
    Gostaria de saber se você teria fontes sobre abiotrofia para me ajudar
    grato
    Bruno

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