Centro das Emoções: Cérebro ou Coração?

Minha amiga e cardiologista Dra. Nathalie Lima Dadá que me desculpe, mas eu não resisti… vou falar um pouco de cardio…

Há muito tempo (muito mesmo) as pessoas atribuem o amor e outros sentimentos ao coração. Já a Ciência pensa diferente… Segundo os neurocientistas, nosso centro das emoções é cerebral e o coração ficou encarregado de somente distribuir sangue aos tecidos (o que já um trabalho e tanto!), pelo menos até o artigo publicado por Koelsch no ano passado na European Journal of Neuroscience.

o grupo de Koelsch observou que mesmo em condições normais (sem nenhum tipo de estresse ou fator emocional) haviam diferenças em certos pontos do ECG (eletrocardiogama) e criou um indicador quantitativo de atividade cardíaca calculando um índice ao qual chamaram de Ek, estimado a partir do tamanho das ondas registradas no ECG.

Depois de estabelecida a Ek de todos os indivíduos, Koelsch distribuiu um questionário que classificava as pessoas em 2 categorias: coração de pedra (também chamados de emocionalmente estáveis) e coração mole (aqueles que choram em comercial de margarina, inauguração de farmácia, ultimo capítulo da novela) e observou que os dois grupos possuíam diferenças em certos pontos do ECG (eletrocardiograma).

As pessoas que fizeram o ECG e responderam ao questionário de perfil emocional também passaram por ressonância magnética funcional, durante a ressonância elas ouviam músicas agradáveis e outras nem tanto (não, não era Calypso… mas devia ser tão desagradável quanto). Após a ressonância eles davam nota para as duas músicas.

Resultados: O experimento mostrou ativação de regiões cerebrais envolvidas na emoção, porém as pessoas com a Ek mais alta tinham uma maior ativação cerebral, diferente das pessoas com Ek mais baixa. Os primeiros também apresentavam uma maior variabilidade da frequência cardíaca, enquanto os outros (Ek baixa) possuíam uma frequência cardíaca mais estável. Tudo isso tinha relação direta com os resultados do questionário coração mole x coração de pedra.

Portanto, as pessoas com Ek mais baixa eram pessoas menos emotivas, enquanto as com Ek mais alta ficarão emocionadíssimas em saber que o coração tem a ver com as emoções sim!

Apesar das evidências continuo apostando no cérebro…

Josy Pontes
Médica Veterinária

14 Respostas para “Centro das Emoções: Cérebro ou Coração?”

  1. Bravo Bravo !!!
    Será que um dia a “nossa” ciência ocidental irá acreditar que todos os nossos órgãos têm envolvimento direto com as emoções ??? A Medicina Tradicional Chinesa descobriu isso há quase cinco mil anos atrás…

  2. O tema é interessante. Emoção/coração/SN.

    Não há dúvidas de que o sistema nervoso é o grande integrador dos sistemas orgânicos. Nossos “Vivas” aos seus receptores que permitem respostas integradas e que permitem um equilíbrio dinâmico que chamamos “Homeostase” ou “equilíbrio dinâmico”.

    Emoções prazerosas ou não, despertam respostas do Sistema Nervoso Autônomo com influências no EEG e ECG e isso foi bem demonstrado no artigo citado.

  3. Isabela Gasparello Diz:

    Parabéns!! a idéia do blog foi fantástica, assim como os temas de inicio!
    Pode ter certeza ue seria um frequentadora assídua do seu blog…

  4. Isabela Gasparello Diz:

    Pode ter certeza que serei uma frequentadora assídua do seu blo

  5. josypontes Diz:

    Oi Mel…

    Acho que a ciência está engatinhando no que diz respeitos às emoções… É claro que o papel do cérebro é inquestionável, mas qual é o papel dos outros ógãos?

    Quando falamos de emoções sempre falamos de Sistema Nervoso Autônomo, principalmente a porção simpática. É claro, que o SNA simpático atua nos órgãos, logo podemos dizer que as emoções afetam todo o organismo.

    É aí que ressurge aquela velha questão, discutida muitas vezes no livro “O Cérebro Emocional” de um famoso cientista das emoções, LeDoux: Nós temos taquicardia pq temos medo ou temos medo pq temos taquicardia? Não, não é propaganda da Tostines… É ciência! A princípio todos pensariam que a primeira opção é a correta, mas como tudo na Ciência… há controvérsias…

    Pensando na complexidade do SNC, podemos sugerir que é uma via de mão dupla, os órgãos afetam as emoções e as emoções afetam os órgãos… mas de que maneira? Pensar somente em SNA Simpático, para mim parece muito simplista… e pra você?

    Beijos
    Josy

  6. josypontes Diz:

    Olá Ismar…

    Sim, o assunto é interessantíssimo e as discussões que brotam dele são mais interessantes ainda…

    Você deu “Vivas” aos receptores e bota “Vivas” nisso…

    Uma coisa errada, no meu ponto de vista, é classificar os neurotransmissores em excitatórios e inibitórios. Por exemplo, a serotonina considerada excitatória causa hiperpolarização no neurônio pós-sináptico quando ligada ao receptor 5-HT1… logo, nesse caso, a serotonina é inibitória!!!!!
    Nesse caso, quem dita as ordens?
    OS RECEPTORES!

    É como diz aquele velho ditado:
    “Diga-me em quem tu ligas que eu te direi se és excitatória ou inibitória”

    Atenciosamente
    Josy

  7. josypontes Diz:

    Olá Isabela!

    Fico muito feliz que tenha gostado do blog!
    Estavámos precisando mesmo não?!

    Obrigada pela participação!
    Espero vê-la mais vezes por aqui!

    Atenciosamente
    Josy

  8. Nathalie L. Dadá Diz:

    Ola Josy!! Como fui citada no texto não poderia deixar de fazer um comentário no seu blog que está fantástico!
    O sistema nervoso realmente manda em tudo, mas o problema é que não o vemos trabalhar, não sabemos qual região estamos ativando quando estamos apaixonados ou tristes por exemplo (é claro que você sabe não é?!). Já o coração nos mostra batimentos mais fortes e rápidos quando estamos frente a fortes emoções. Acho que por este motivo tão simples que sempre atribuímos o coração como o órgão das emoções. E está comprovado….nada de apostar só no cérebro!! Hahaha Bjão!!

  9. Josy Pontes Diz:

    À minha amiga Nathalie!

    Como não vemos o SN trabalhar? A ressonância magnética funcional (RMf) está aí… pra quem quiser ver! Com ela você vê quais regiões cerebrais estão ativas! E ao vivo!

    E não só vê quais regiões estão ativas, mas você também pode observar o quanto determinada região está ativa. A RMf já mostrou que a ativação de giro do cíngulo e amígdala é mais forte quando o estímulo tem uma carga emocional mais forte!

    Quanto a aposta Cérebro x Coração… Apesar de estarmos cansadas de saber que tudo está interligado… Vamos colocar em números:

    Continuo apostando no cérebro, mas “só” 98%… rsrs

    Beijão

    P.S.: Adorei recebê-la em meu humilde blog! Volte sempre, quem sabe você não se encanta e abandona a cardio?! Hahahahaha

  10. Não penso em abandonar a cardio tão cedo!! :)
    E quanto a ver o cérebro tabalhar, falei no sentido de não sentirmos que ele está ali fazendo tantas coisas. Com o coração podemos sentir quando ele está mais rápido e forte, mas também é pouco perto de tudo o que vemos em um ecodopplercardiograma! Você deve sentir a mesma coisa quando ve uma ressonância…aliás, ela não está aí a tanto tempo não é?! Com tantos avanços estamos podendo descobrir melhor o sistema nervoso, quem sabe eu não me encanto por ele…
    Bjosss menina Josy!!
    Ah, te mandei um texto sobre complicações neurológicas da hipertensão arterial, é interessante pois temos muitos hipertensos precisando dos seus cuidados!!

  11. Mas …. o amor é característica da matéria?

  12. Josy Pontes Diz:

    Mestre Wagner…

    Pergunta filosófica essa, não?!

    Depende do que considerarmos como “matéria”…

    Acho que “SE” considerarmos o cérebro como matéria, talvez poderíamos dizer que o amor emerge da matéria em atividade. Porém, isso incluiría todos os seres.
    E a pergunta que faço é: Os outros seres vivos amam?

    A resposta mais aceita (não significa que seja a certa) é que NÃO, até
    agora parece que o amor, que é considerado uma emoção mais “complexa” é coisa de quem tem o córtex mais desenvolvido. Diferente de emoções como a raiva e o medo que estão presentes em outros animais e são emoções mais primitivas, ou seja, com base em regiões mais primitivas do encéfalo. Já o amor envolve uma série de áreas superiores do encéfalo.

    Então só algumas emoções seriam fruto da matéria em atividade?

    Nesse caso, “SE” considerarmos os vegetais como matéria, poderíamos pensar que os vegetais tem medo ou raiva… Isso parece pouco provável, não é?

    Mesmo depois de tanto escrever, sua pergunta continua sem resposta…
    E acho que ainda vai ficar um bom tempo sem!
    Perguntinha difícil essa né?

    Grandes mestres = grandes perguntas!

  13. aqui vai um assunto do teu interesse

  14. Bom, eu so tenho apenas 11 anos, mas me interesso muito nesse assunto, vivo apostando com a minha mae que as emoçoes estao ligadas ao cerebro e ela fala que estao ao coraçao.Gostei muito desse bolg, e vou continuar pesquisando, porque nao me conformo que estao ligadas ao coraçao.

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