Paródia 1 – Funk do Potássio

Postado em Uncategorized em setembro 19, 2010 por Josy Pontes

FUNK DO POTÁSSIO

(Eu to tranquilão – MC Sapão)

Que saída é essa devido a concentraçã-ã-ão!
É claro que é o potássio, meu irmão!
Vários canais abertos permitem a sua vazã-ã-ão!
É claro que é o potássio, meu irmão!

Vem pra cá vazar
Vem pra saii-ir

Hoje ele vai se divertir
Que interstício lindo, não vou mais saii-ir
Comigo vem cantando assim

Despolarização, no neurônio entra sódio de montão!
Se liga nessa, e na repolarização
Do neurônio sai potássio de montão!

Desce! Desce!

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PS.: E pra quem não conhece a música…

Josy Pontes

E.T., telefone… minha mãe!

Postado em Neurociência com as tags em maio 16, 2010 por Josy Pontes

Estar em outro planeta não deve ser uma situação das mais tranquilas, deve por isso que  no filme de Steven Spielberg, E.T., o extraterreste (1982), o protagonista em questão, dá logo um jeito de aprender umas palavrinhas…

“ET… telefone… minha casa!”

Provavelmente, o que o ET mais desejava naquele momento era ouvir a mãe dele! Mas porquê?

Segundo cientistas americanos, ouvir a voz da mãe ao telefone conforta tanto quanto receber um abraço!  E para chegar a essa conclusão, foi feito o seguinte: eles submeteram 60 crianças a uma situação estressante como resolver um problema de aritmética em público. Depois disso, elas foram divididas em 3 grupos: as crianças do primeiro grupo receberam um telefonema da mãe, as do segundo grupo ganharam um abraço e as do terceiro assistiram um filme emocionalmente neutro.

O artigo publicado na Proceedings of the Royal Society B, mostrou que quando as crianças eram confortadas com o toque carinhoso ou a voz da mãe, seu níveis de um hormônio chamado ocitocina aumentavam.

A ocitocina é um hôrmonio liberado por uma estrutura que fica no cérebro chamada hipófise, mas precisamente na sua parte posterior. É um hormônio relacionado, dentre outras coisas, ao contato físico, como um carinho ou um abraço, mas nesse caso, foi diferente! A mãe não estava presente!

Por isso, o autor conclui que “A voz de uma mãe pode ter o mesmo efeito de um abraço, ainda que elas não estejam fisicamente presentes.”

Ao ler essa notícia no site da BBC não pude deixar de lembrar de uma prova do não tão clássico Big Brother desse ano, nela os participantes seriam peças de um tabuleiro de xadrez e em cada casa haveria um telefone que eliminaria ou manteria o participante no jogo, só que a voz ouvida ao telefone era a voz da mãe de cada participante!

Veja aqui a ocitocina em ação!

Josy Pontes

“Aiaiai uiui…”

Postado em Neurociência, Uncategorized em novembro 21, 2009 por Josy Pontes

silviosantos

Definitivamente, domingo sem Silvio Santos não é domingo!

Pelo menos posso responder por mim e por muita gente. Assisto os programas Silvio Santos desde que me entendo por gente. Dizem por aí (e eu não duvido) que minhas primeiras palavras eram respostas pras perguntas do homem do baú.

“Se o auditório não ganha, quem ganha é a… CARTAAAA” ou até mesmo o famoso “Eu só acredito… VEEENDOOO” ou “É dinheiro ou não é? ÉÉÉÉ”

E foi assim minha vida toda, o domingo é sagrado… é dia dele!

Não sei se na época eu era inocente e não percebia nada, mas hoje em dia o homem do baú anda muito saidinho!
Basta alguma colega de trabalho aparecer com um decote generoso ou com as pernas de fora que ele já dispara um “Aiaiai uiui”.

E o mestre sempre usou e abusou dos dotes femininos na hora da Câmera Escondida no (infelizmente) extinto “Topa Tudo Por Dinheiro”, era muito comum ver machões babando e entrando em confusão por causa de um rabo de saia.

E para mostrar que o homem do baú sempre teve razão, Karremans e seus colegas de trabalho publicaram na  Journal of Experimental Social Psychology o artigo “Interação com mulher pode prejudicar a função cognitiva do homem”.

Disso, Senor Abravanel sabia faz tempo!

Mas como Karreman só acredita vendo ele recrutou 40 homens e fez o seguinte teste: os homens tinham que soletrar um grupo de palavras o mais rápido possível, após este simples teste entrava uma linda mulher na sala com quem eles tinham a oportunidade de conversar, depois de 7 minutos, eles repetiam o teste (na frente da mulher)!

O resultado, nada surpreendente (pelo menos pra mim, uma telespectadora de várias Câmeras Escondidas): quanto mais os homens tentavam impressionar o mulherão ao seu lado menor era a pontuação no teste (chegando a uma redução média de 30%), ou seja, os homens usam uma parte tão grande de seus recursos cognitivos para impressionar a mulher que fazer outra tarefa fica complicado demais por mais simples que essa tarefa seja…

E pra provar que o homem do baú não ensina só que barras de ouro valem mais do que dinheiro, mas também ensina Neurociência…  eis aqui um vídeo que mostra esse mesmo experimento só que na versão Topa Tudo Por Dinheiro!

Eu só acredito… vendooooo!


Josy Pontes

O mundo gira, a lusitana roda e a atenção desanda.

Postado em Neurociência com as tags , , em outubro 25, 2009 por Josy Pontes

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Precisava fazer um trabalho de pesquisa relacionado à neurofisiologia. Mas, com tantos assuntos, pequisas e informações, não sabia o que escrever e nem por onde começar a procurar um tema interessante.

Resolvi ver um pouco de TV. Estava acabando a novela das sete e começando o Jornal Nacional, que não tenho o costume de assistir. Mas desta vez algo me chamou a atenção, e não foi o corte de cabelo da Fátima Bernardes, mas o globo tridimensional rodando no fundo da dela. Achei a animação interessante, mas não consegui olhar para mais nada além dela. Como tudo que se move atrai automaticamente a atenção do cérebro, os jornalistas, com seus movimentos contidos, perderam feio para o tal globo.

Fui tentar entender um pouco do que estava aontecendo com meu cérebro.

Comecei pesquisando as áreas que são responsáveis pela nossa atenção, e descobri no site VOX SCIENTIAE que, teoricamente, podemos enfocar nossa atenção sobre qualquer uma das várias modalidades sensoriais. Entretanto, na prática, quase toda a pesquisa sobre a atenção envolve a modalidade visual.

Os estudos realizados em macacos, pacientes e sujeitos normais mostraram que três áreas encefálicas estão envolvidas no controle do direcionamento da atenção para estímulos visuais em primatas: o córtex parietal posterior, o colículo superior e o núcleo pulvinar do tálamo. Danos em qualquer uma dessas regiões cerebrais levam a alterações na habilidade de redirecionar a atenção encoberta (ver testes atencionais em humanos).

 No entanto, cada uma dessas regiões desempenha funções específicas e distintas nesse processo.

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O córtex parietal posterior primeiro desengaja a atenção do foco presente. Em seguida, o colículo superior age no sentido de mover a atenção para a região do novo alvo. Por fim, o pulvinar focaliza as informações na nova região alvo, de tal forma que elas passam a ter prioridade de processamento.

Então estas áreas do meu cérebro deviam estar especialmente ativas enquanto assistia televisão.

Mesmo assim, ficou a pergunta: por que nos distraímos tão fácil com imagens em movimento? Foi então que encontrei a matéria Ei, você, preste atenção, publicada na revista Galileu em março de 2008. Ela menciona a pesquisa da Dra. Nilli Lavie, da Universidade de Londres, que realizou uma série de experimentos em 1997 e provou que, por si só, a concentração não é suficiente para eliminar distrações. Mais: existe um limite de entendimento superior ao que nossos olhos podem perceber.

Em um experimento, a Dra. Nilli Lavie pediu aos voluntários que completassem um teste de palavras em uma tela de computador enquanto os distraía. Eles deveriam dizer se as palavras que apareciam na tela estavam em letras maiúsculas ou minúsculas ou, em uma tarefa mais marota, contar as sílabas de cada uma delas. Nos limites da tela, a simulação de um caminho de estrelas se movendo dava a sensação de movimento para frente e para trás, uma distração que Lavie pediu que fosse ignorada. Através de ressonância magnética funcional (fMRI), ela monitorou a atividade em uma parte do cérebro chamada V5, no córtex visual, acionada quando experimentamos sensações como a de movimento.

Os resultados foram surpreendentes. A região V5 estava ativa durante as tarefas simples, mesmo com os voluntários ignorando o caminho de estrelas. Nesse ponto, uma das antigas teses caiu por terra: é impossível filtrar as distrações simplesmente se concentrando. Mas isso não foi tudo. A imagem do cérebro também mostrou que, quando a tarefa ficava mais difícil, a região V5 tinha mais sucesso em ignorar as estrelas.

Ficou a pergunta: o que aconteceu durante as tarefas mais difíceis? “Temos uma capacidade limitada de absorver informação visual”, diz Lavie. Ela descobriu que uma tarefa visualmente mais intensa, como processar o caminho de estrelas junto às palavras, “carrega” a atenção do cérebro. Ficamos cada vez mais cegos para as distrações, o que leva à melhora no desempenho. A reação é mais rápida, e os erros caem. Resumindo, quanto mais você é forçado a se concentrar, mais dificilmente será distraído.

Essa pesquisa me fez pensar: se o Jornal Nacional apresentasse alguma notícia realmente interessante como, por exemplo, o que acontece no último capítulo do desenho Caverna do Dragão, será que eu deixaria de prestar atenção no tal do Globo e me focaria nos apresentadores? Outra: se eu passar a assistir o jornal todos os dias, será que a animação se tornaria irrelevante? Esta poderia ser uma boa experiência para o futuro.

Aline Millani Carneiro

“He is a Jackass!”

Postado em Neurociência com as tags , em outubro 19, 2009 por Josy Pontes

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Durante a premiação da MTV Americana VMA (Vídeo Music Awards) deste ano, que premia os melhores da música segundo a emissora, o rapper Kanye West invadiu o palco da premiação e interrompeu o discurso de agradecimento de Taylor Swift, que ganhou o prêmio de melhor vídeo – feminino, com o seguinte discurso: “Hey, estou feliz por você e vou deixar você terminar, mas Beyoncé é bem melhor e tem um dos melhores clipes de todos os tempos”, disse o cantor ao arrancar o microfone da mão da vencedora, deixando-a sem reação alguma.

Até ai tudo bem, acontece com as melhores celebridades e ela não merecia o prëmio mesmo, mas o assunto teve uma repercussão negativa nos diversos canais de comunicação quanto o comportamento de Kanye West, que foi muito criticado por fãs e artistas, e que para ajudar tomou proporções ainda maiores quando o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deixou escapar um comentário nos bastidores de uma entrevista ao canal da rede NBC, onde chamou o cantor de babaca, com toda informalidade que lhe coube na hora: ‘’He is a Jackass!!’’

O que levaria o representante de um país, uma pessoa extremamente polida, educada a se expressar da melhor forma, a se referir a alguém assim? Mesmo que na brincadeira, as ofensas e xingamentos já fazem parte do nosso vocabulário, para uns mais, outros menos, mais ofensivos às vezes menos, como o caso do Presidente Obama,  mas de fato funciona quase que como interjeição para maioria.

No nosso cérebro, grosseiramente falando, o hemisfério esquerdo é responsável pela linguagem e o hemisfério direito pelo conteúdo emocional da linguagem. O processamento da linguagem ocorre no córtex cerebral que possui áreas pré-motoras e motoras que controlam a fala e a escrita; A área de Wernicke processa e reconhece as palavras faladas; e o córtex pré-frontal controla a personalidade e o comportamento social adequado.

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Os palavrões e xingamentos envolvem o sistema límbico e os gânglios da base (o gânglio controla e o límbico libera)

O sistema límbico: hospeda a memória, as emoções e os comportamentos primários. Tem como estruturas o hipocampo, tálamo, amígdala, hipotálamo,  Todas estas áreas são muito importantes para a emoção e reações emocionais;

Gânglios da base: têm grande participação no controle de impulsos e funções motoras.

Enquanto a linguagem comum ocorre por conta da massa cinzenta, o neocórtex, os palavrões ocorrem no sistema límbico, considerado uma zona mais primitiva, traduzindo assim certas emoções de forma simples e primitiva (e pelo visto sinceras!).

Portanto, os palavrões seriam uma expressão nua e crua de fato, mas carregada de emoções. O que pode ser explicado também pelo seu papel cultural. Enfim, nada mais natural do que um palavrãozinho, um xingamento quase sempre inocente para se expressar de vez em quando.

Se o Barack Obama pode, porque eu não!

P@##@, Yes, we can!

Vanessa Pessota

Comentário: Esse texto e o próximo são os 2 melhores trabalhos dos meus alunos de neurofisiologia do curso de especialização em “Atividade física, exercício físico e aspectos psicobiológicos” da UNIFESP. Quem sabem esses não são os futuros divulgadores da Ciência... hein hein? Talento eles já tem!

Parabéns Vanessa!

Josy Pontes

O teste do Marshmallow!

Postado em Neurociência, Uncategorized com as tags , , em outubro 18, 2009 por Josy Pontes

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Toda criança sabe o quanto é difícil ter que comer toda a comida pra ganhar a sobremesa, ou até mesmo ter que esperar até a hora do parabéns pra poder comer os brigadeiros! Principalmente quando os brigadeiros estão ali, em forminhas laminadas em cima de uma mesa colorida, cheia de enfeites… Isso é tortura para uma criança!

Há algum tempo escrevi no post “Sair ou Estudar? Eis a questão” como o cérebro decide se esforçar um pouquinho mais para ter uma recompensa maior. Afinal, vale a pena esperar a hora do parabéns para poder saborear todos os tipos de docinhos espalhados na mesa!

Algumas áreas do cérebro envolvidas nesse tipo de decisão (baseada no esforço):

Amígdala cerebral: que é uma estrutura altamente associada às emoções e responsável por informar o nosso córtex cingulado anterior o quanto uma recompensa nos agrada, o quanto ela vale a pena.

Córtex cingulado anterior: que avalia os custos e benefícios do problema em questão.

Núcleo accumbens: uma região relacionada com as sensações de prazer e recompensa.

Você deve estar se perguntando. Porque será que estou falando tudo isso de novo???
A resposta é simples…

O vídeo a seguir mostra esse sistema de recompensa (baseada no esforço) EM AÇÃO!

E bota esforço nisso!

Josy Pontes

Eu prefiro ser essa plasticidade ambulante…

Postado em Neurociências com as tags , , , , , , , , , em agosto 25, 2009 por Josy Pontes

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Semana passada vários sites noticiaram que há 20 anos morria Raul Seixas, um dos roqueiro brasileiros mais influentes.

Toda vez que ouço o nome Raul Seixas meu cérebro logo mexe nas minhas memórias armazenadas a respeito dele e traz a tona a música “Metamorfose Ambulante”:

“Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante… do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo…”

Raul Seixas (até onde eu saiba) não era neurocientista, mas devia levar jeito pra coisa… pois é isso mesmo que nós somos! Metamorfoses ambulantes!

E não estou falando de nenhuma novela da Record…

Nós estamos o tempo inteiro aprendendo coisas, mudando, nos tranformando. E os nossos neurônios também!

A cada coisinha que nós aprendemos nossos neurônios também mudam… é o que chamamos de plasticidade neuronal!

A plasticidade neuronal é necessária não só no aprendizado, na formação e armazenamento de memórias como também na atualização e modificação de memórias existentes, ou seja, é melhor ser essa plasticidade ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo!

Para saber como ocorre a plasticidade neuronal é importante saber o que é uma sinapse. As sinapses são conexões especializadas que permitem transmitir informações de um neurônio a outro neurônio (ou a outra célula).

A informação “corre” na forma de impulsos elétricos ao longo do neurônio e quando chega na pontinha do neurônio (terminação axonal) ele libera substâncias químicas chamadas neurotransmissores na fenda sináptica (espacinho entre um neurônio e outro) que se ligam a receptores no próximo neurônio. Os neurotransmissores funcionam como chaves e os receptores como fechaduras, e a ligação neurotransmissor-receptor pode inibir ou excitar o próximo neurônio!
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A ligação chave-fechaduradura… ou melhor neurotransmissor-receptor pode acarretar alterações duradouras nos neurônios por meio da plasticidade sináptica. Este sistema possui um papel fundamental nos processos do aprendizagem e memória.

- Potenciação de Longa Duração: também conhecida por LTP (long-term potentation) é uma excitação que se mantém de maneira persistente, aumentando a eficiência das sinapses.

Mas como ocorre essa excitação?

O GLUTAMATO é um tipo de neurotransmissor (chave) que desempenha um papel importante na LTP e pode ligar-se a vários tipos de receptores (fechaduras), entre eles, os receptores AMPA e NMDA.

AMPA: este é o primeiro receptor a responder à ação do glutamato liberado na sinapse. Quando o glutamato se liga ao AMPA promove a abertura de canais para sódio e potássio, provocando assim uma excitação da membrana do próximo neurônio.

NMDA: a abertura desse tipo de canal permite que entre cálcio no próximo neurônio, fazendo com que este gere estímulos mais intensos ainda.

Esta série de eventos podem durar de horas a dias e possui funções importantes na aprendizagem.

- Depressão de Longa Duração: também conhecida como LTD (long-term depression), é um tipo de plasticidade semelhante à LTP – mas com sinal contrário. Neste caso, ocorre um enfraquecimento da transmissão sináptica por diminução da entrada de cálcio.

- Sinaptogênese e Remodelamento Sináptico: crescimento de novas sinapases ou mudanças nas sinapses já existentes.

- Neurogênese (nascimento e crescimento de novos neurônios): ao contrário do que se acreditava, novos neurônios continuam surgindo no cérebro do adulto (giro denteado e bulbo olfatório). Embora possa ocorrer neurogênese em outras regiões em casos de dano cerebral.

Vale ressaltar que esses 4 mecanismos de plasticidade não são completamente independentes. Portanto, nosso cérebro está em constante e dinâmica modificação devido ao aprendizado e formação de memórias, através do aumento da eficiência ou do enfraquecimento da transmissão sináptica, formação ou remodelamento de sinapses e neurogênese.

Melhor assim né?

Já pensou ter sempre a mesma velha opinião sobre tudo???

Toca Raul!

Josy Pontes

Sair ou estudar? Eis a questão…

Postado em Uncategorized em agosto 17, 2009 por Josy Pontes

Fui convidada alguns meses atrás pela editora Ferreira através do Bruno Barrozo, a escrever uma matéria sobre tomada de decisões para a revista Guia dos Concursos. A matéria sairá na edição de setembro.
Como trata-se de uma revista que tem um público-alvo bem específico escrevi como o nosso cérebro opta por abandonar os pequenos prazeres da vida para estudar!


O sonho da estabilidade financeira é muito tentador pro nosso cérebro, pois ele sabe como é bom almoçar em um bom restaurante, ter um carro melhor e comprar roupas novas!

Mas a tão sonhada estabilidade financeira nem sempre é fácil e muitas vezes temos que fazer escolhas difíceis, escolhas estas que nos privam de muitos outros pequenos prazeres. Você certamente sabe o quanto é difícil abandonar aquela cervejinha no final da tarde. Afinal, você precisa estudar! E estudar pra quê? Decidir prestar um concurso, não é uma das tarefas mais fáceis, pois isso implica em horas de estudo, muita dedicação e acima de tudo muita força de vontade.

Para saber como o nosso cérebro prefere estudar ao invés de sair com amigos ou até mesmo pegar um cineminha, alguns neurocientistas decidiram pregar uma peça, ou melhor, fazer um “concurso” para ratos.

Eles colocaram ratos em um labirinto em forma de T, de um lado havia uma pequena recompensa (dois pellets = ração de rato) e do outro lado uma recompensa melhor, o dobro de pellets. Só que para obter a maior recompensa, era necessário um esforço maior, ou seja, escalar uma pirâmide de arame de 30 cm de altura.

labirinto em T

E força de vontade foi o que não faltou aos ratinhos dos pesquisadores Hauber e Sommer. Eles preferiram escalar a pirâmide de arame e obter a maior recompensa! E essa decisão baseada no esforço envolveu três estruturas cerebrais importantes, a amígdala cerebral, o córtex cingulado anterior e o núcleo accumbens e a integração dessas estruturas fez com que os ratinhos percebessem que valia a pena se esforçar um pouquinho mais. Afinal, o prazer de se obter uma recompensa melhor é muito maior.

Mas o que aconteceria se os ratinhos tivessem uma lesão em alguma dessas três estruturas? Hauber e Sommer responderam essa pergunta lesionando o núcleo accumbens dos ratinhos, que é a estrutura cerebral responsável pelo prazer. Após a lesão, mudaram de opinião e passaram a optar pela recompensa menor, porém mais fácil. A mesma coisa acontecia quando os ratinhos possuíam uma lesão no córtex cingulado anterior, região envolvida em calcular os custos e benefícios de uma decisão.

Porém, o núcleo accumbens parece estar envolvido não só em decisões baseadas em algum esforço, mas também em escolhas nas quais a recompensa não é imediata ou até mesmo incerta! Não é isso que representa prestar um concurso?

Em estudos com lesão nessa região mostram que os ratos preferem a certeza de uma pequena recompensa à incerteza de uma recompensa melhor, ou seja, são ratos que seguem a risca o ditado “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”. E é esse mesmo mecanismo pelo qual nós, seres humanos, também fazemos nossas escolhas!

Outra região envolvida nessas difíceis escolhas é a amígdala, (sim nós temos amígdala no cérebro), não tem nada a ver com amigdalite, mas tem muito a ver com emoções. Ela é responsável por informar o nosso córtex cingulado anterior o quanto uma recompensa nos agrada, o quanto ela vale a pena. Com essa informação vinda da amígdala é que o nosso cingulado anterior consegue avaliar os custos e benefícios do problema em questão, além das opções de resposta (me esforçar pra passar num concurso, não me esforçar ou simplesmente abandonar tudo e partir pra outra solução).

CCA, BLA, NAc

Então, na hora de tomarmos uma decisão importante, onde deixaremos de lado pequenos prazeres como sair com os amigos para nos esforçar em outra atividade nem sempre tão prazerosa como estudar, nós estamos trocando uma pequena recompensa, mas visando uma recompensa maior pro nosso cérebro, por mais que não seja uma recompensa imediata e nem certa! Mas o nosso cérebro adora um desafio em busca de prazeres maiores… E você? Prefere uma pequena recompensa ou escalar a pirâmide?

Josy Pontes

P.S.: Aproveito este post para agradecer o convite à revista Guia dos Concursos e principalmente ao Bruno Barrozo, leitor assíduo deste blog!

Uma tecla no pé e um som na cabeça!

Postado em Neurociências com as tags , em agosto 3, 2009 por Josy Pontes

quero-ser-grande

Você sabe o que é uma ESCALA PENTATÔNICA?

Caso sua resposta seja SIM… saiba que seu cérebro sabe mais do que você pensa que sabe.
Mas se sua resposta for NÃO, não se preocupe… seu cérebro sabe exatamente o que é!

A escala pentatônica é uma escala formada por 5 notas. Esse tipo de escala pode ser ouvida em diversos estilos musicais, dentre eles o rock, as músicas populares e o blues.

Em junho deste ano, Bobby McFerrin (o cara do ‘Don’t worry, be happy’) mostrou como o nosso cérebro sabe mais sobre a escala pentatônica do que a gente pensa.

Durante o World Science Festival 2009 ele “tocou” a platéia.
Pra quem assistiu o filme “Quero ser Grande” (Big – 1988) sabe que é quase inesquecível a cena em que Josh (Tom Hanks) toca um piano no chão com os pés.

Pois foi isso que Bobby McFerrin fez… só que o som saía da platéia.

Ele ensinou só 2 notas, tendo como base essas 2 primeiras notas, o cérebro do público se encarregou do resto.

A cada pulo a platéia já sabia qual nota tocar!
E cada vez que McFerrin se prepara pra dar o próximo pulo o cérebro da platéia já se antecipa e toca exatamente a nota que ele quer.

O resultado? Ficou tão bom que McFerrin até improvisou em cima das notas!

Josy Pontes

Que mentira, que lorota boa!

Postado em Neurociência com as tags , , , , , , , em julho 24, 2009 por Josy Pontes

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Se no post anterior eu disse que Chaves também é Ciência, dessa vez vou mostrar que notícia bizarra também pode ser Ciência!

O mundo acompanhou no mês passado a “história pra boi (ou belga) dormir”  contada por Kimberley Vlaeminck de 18 anos. Seguuundo a garota, ao pedir 3 estrelas na testa ao tatuador, o mesmo ao invés disso teria feito 56! Só 53 a mais!

Como??? Ela dormiu, óbvio! (rs)

“Eu fechei meus olhos e não senti nenhuma dor. Adormeci e, quando acordei por causa da dor no nariz, ele estava tatuando uma grande estrela. Então eu acordei com 56 estrelas”.

Segundo o tatuador, a menina havia concordado com a constelação!

Alguns dias depois, a menina assumiu que havia mentido porque seu pai ficou furioso quando viu as estrelas “Quando meu pai viu a tatuagem ele ficou furioso. Daí eu disse que havia dormido e que o tatuador tinha cometido um erro”.

Em todos os sites que noticiaram o fato, os comentários no final da matéria eram (na maioria das vezes) de pessoas que já fizeram tatuagens e diziam que é impossível dormir durante uma sessão.
E eles estão certos!

Se Kimberley soubesse como o sitema nervoso funciona, certamente teria escolhido outra mentira!

Suponhamos que ao invés da tatuagem no rosto, a tatuagem fosse no braço.

1. O estímulo doloroso dessa tatuagem é captada por receptores de dor (nociceptores) existentes na pele e esses trasmitem a informação dessa dor crônica através de fibras chamadas fibras C .

2. As fibras C chegam a medula espinhal e seguem por uma via também chamada de sistema ânterolateral.

3. Estas fibras formam o trato paleoespinotalâmico, que nada mais é do que um conjunto de fibras quem vêm da medula espinhal e chegam até o tálamo.

4. Um pouquinho antes de chegar no tálamo, o trato paleoespinotalâmico emite algumas fibras para algumas regiões, dentre elas os núcleos reticulares (que ficam no tronco cerebral).

5. No tálamo, ele também emite várias fibras para os núcleos intralaminares (dentre outros núcleos).

6. Finalmente, a informação é passada para o córtex somatossensorial, que é uma região do cérebro que faz com que a pessoa saiba onde está doendo (no braço, na perna, no rosto).

Fonte: Craig, 2002 (Nature Reviews Neuroscience)

Fonte: Craig, 2002 (Nature Reviews Neuroscience)

Ok! Já sabemos qual é o caminho da dor até o cérebro.

Mas o que tudo isso tem a ver com o “ficar acordado”?
Porque tantos os núcleos reticulares, quanto os núcleos intralaminares do tálamo estão envolvidos na ativação do cerebral, que é o que nos mantém acordados.

Isso explica porque a pessoa com dor intensa fica na maioria das vezes intensamente alerta e, também, porque é quase impossível a pessoa dormir quando sente dor intensa!

Portanto,

Kimberley… conta outra vai! Essa não colou!

Josy Pontes

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